
domingo, 21 de junho de 2009

Transgenerismo, Transgeneridade e Posgenerismo

O movimento transgênero – ou simplesmente movimento “trans” ou T* - tem sido desde o começo um imenso guarda chuva, incorporando demandas tão diversas quanto de pessoas transexuais, travestis (crossdressers), dragqueens e dragkings, andróginos, transformistas, indíviduos intersexuados e quaisquer outros indivíduos não-conformes ao código binário de gênero masculino/feminino. Em síntese, o movimento acolhe pessoas que por qualquer motivo não se comportam de acordo com as expectativas sociais do gênero em que foram enquadradas ao nascer. Todo esse imenso contingente humano esteve durante muito tempo abrigado dentro do movimento de Gays e Lésbicas, mas aos poucos foi se destacando dele, na medida em que suas demandas específicas e tão diferenciadas começaram a vir à tona.
Durante a primeira década desse século XXI, o transgenerismo ganhou estrutura e fôlego, sobretudo em países do hemisfério norte, onde inúmeras organizações públicas e privadas trouxeram voz e força aos movimentos para a afirmação da pessoa transgênera na sociedade.
Foi também nesta década que se começou a falar, ainda que muito difusamente, de “transgeneridade” como uma terceira opção de gênero, além das duas alternativas oficiais existentes (masculino e feminino).
No Brasil, o movimento transgenerista ainda é bastante incipiente, se que é pode ser reconhecido como um movimento estruturado. Há, sim, muita articulação entre os órgãos de defesa dos interesses de transexuais e travestis, mas nenhuma organização se apresentou até agora como porta-voz do movimento transgênero em nosso país.
Simultaneamente ao avanço do movimento transgenerista em países do primeiro mundo, o final do século XX assistiu o surgimento de um “Movimento Posgenerista”, cuja proposta vai muito além da defesa dos interesses desses “outros gêneros” historicamente excluídos do modelo binário oficial masculino/feminino.
Na verdade, o Pós-Generismo advoga em essência a extinção total dos gêneros. Um dos principais argumentos dos que antevêem o fim dos gêneros é o crescimento vertiginoso das técnicas de biotecnologia avançada que têm levado a reprodução humana assistida para campos até agora imagináveis apenas em filmes de ficção científica. Mas o principal argumento dos posgeneristas é que a existência de apenas dois gêneros, estabelecidos a partir do sexo biológico das pessoas tem funcionado como mecanismo de repressão dos indivíduos e forte impeditivo do desenvolvimento de uma sociedade humana mais justa e igualitária.
Embora o femininismo radical defenda a pura e simples extinção do gênero masculino, alguns defensores mais moderados do posgenerismo predizem que o ser humano do futuro deverá ser basicamente um indivíduo andrógino, reunindo em si o que há de melhor nos “códigos sócio-culturais” da masculinidade e da feminilidade. Antes de serem “machos” ou “fêmeas”, “homens” ou “mulheres” ou “transexuais” ou “travestis” ou quaisquer outras categorias, os seres humanos de um futuro não muito distante serão apenas “pessoas humanas”, liberadas para exibir o melhor da espécie humana, por não estarem mais submetidas aos rígidos esquemas de comportamento e expectativas de desempenho social ligados a gênero.
Por outro lado, como o espaço de interação humana tende a ser cada vez mais virtual nessa era digital, os defensores do pós-generismo advogam que as rígidas estruturas de gênero, sexo e sexualidade nas quais temos vivido até hoje, tendem a diluir-se e ao mesmo tempo diferenciar-se ao infinito, de modo que se tornará praticamente impossível classificar qualquer ser humano em função desses critérios, como ainda se faz atualmente no mundo real. Porém, no mundo virtual, essa indistinção de sexo e gênero já é fato consumado. Ao navegar na Internet, por exemplo, é impossível saber se um eventual interlocutor é homem ou mulher, mesmo que ele se apresente de uma ou de outra forma.
A tecnologia, por seu turno, permitirá que as transformações corporais nos indivíduos tornem-se procedimentos tão corriqueiros que joguem por terra a terrível burocracia hoje existente em torno de tais transformações.
Para quem nasceu, cresceu e está vivendo em um “mundo generado” é simplesmente impossível, para não dizer “terivelmente ameaçador” pensar em um mundo assim, completamente sem gênero (ou, se preferirem, com tantos gêneros quantas pessoas existirem). Mas, embora pareçam possibilidades bastante remotas, as tecnologias necessárias para que isso tudo aconteça não só existem como continuam sofrendo avanços exponenciais.
Enquanto os cavalos continuam aparentemente no mesmo trote, o posgenerismo é mais do que oportuno como reflexão do gênero como instituição social “em fim de carreira”. É preciso por em cheque cada vez mais o que as pessoas “deveriam” ou “não deveriam” fazer em função do seu sexo biológico, a partir do seu enquadramento em um dos dois gêneros existentes. Apesar de ser o principal mecanismo repressor e embotador das melhores qualidades humanas, é sobre essa dualidade, totalmente supérflua no mundo atual, que continua estruturada toda a vida social do planeta.
Ao advogar o fim do gênero como critério de enquadramento dos seres humanos – o movimento posgenerista dá um novo enfoque a um dos pilares do próprio movimento transgenerista – que é a contestação da existência de apenas dois gêneros para enquadrar as infinitas possibilidades de expressão dos seres humanos.
DOMINGO : dia de PEDALAR
sexta-feira, 19 de junho de 2009
quinta-feira, 18 de junho de 2009
www.transexrenataandrade.blogspot.com
terça-feira, 16 de junho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
SP cria posto de saúde exclusivo para travestis e transexuais
SÃO PAULO - Na Semana do Orgulho Gay, a cidade de São Paulo ganha, a partir desta terça-feira, o primeiro ambulatório de saúde do país exclusivo para atendimento de travestis e transexuais. Ele funcionará junto ao Núcleo de Doenças Sexualmente Transmissíveis do Centro de Referência e Treinamento (CRT/ Aids), na Vila Mariana, Zona Sul da capital.
- A iniciativa da Secretaria Estadual da Saúde vem atender a uma antiga reivindicação da população transexual, que estava sem tratamento adequado por causa de discriminações - afirma Alessandra Pereira, diretora da Secretaria de Travestis e Transexuais da 13 Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).
Segundo ela, um dos grandes constrangimentos desta população é a questão do nome.
- Como a maioria ainda tem nome masculino na identidade, acaba sendo discriminada porque está com roupas femininas. Além disso, muitos médicos não aceitam a opção da paciente e agem com descaso, principalmente em relação ao silicone industrial.
Alessandra diz que a população gay vê no ambulatório um acolhimento. "A ideia não é criar novos espaços, mas fazer com que outros ambulatórios prestem o mesmo serviço", disse.
Tenho vontade de terminar meu casamento e ir morar com uma travesti. Será que por gostar de travesti eu sou gay?
Olá, tudo bem? Eu me chamo Guilherme tenho 32 anos e sou casado, mas tenho muita atração por travestis. Tenho vontade de terminar meu casamento e ir morar com uma travesti. O que será que devo fazer pois, no momento, estou gostando mais de travesti do que de mulher, e isso eu não consigo mais controlar. Será que por gostar de travesti eu sou gay?
LETICIA LANZ RESPONDE:
Caro Guilherme,
Gostar não depõe contra ninguém. Odiar, sim, é fato muito feio e vergonhoso. Ter prazer não é vergonha pra ninguém. Desconforto e desprazer são, sim, coisas muito feias e vergonhosas. Todo mundo devia fazer tudo para ser feliz pois, pessoas infelizes, acabam contribuindo para que outras pessoas sejam infelizes também.
Senti você confuso não apenas quanto ao seu sentimento, mas também – e sobretudo - quanto à sua sexualidade. “Será que eu sou gay?” é algo que parece lhe incomodar muito mais do que a idéia de “correr atrás do seu desejo, fazendo aquilo que lhe dá prazer”. Essa preocupação “mais do que exagerada” pela orientação sexual é muito comum entre homens, cuja educação estimula tanto um “embotamento” dos sentimentos quanto um medo tremendo de “manchar a própria masculinidade” praticando alguma forma de “sexualidade errada”.
Acontece que não existe nenhuma sexualidade certa e nenhuma sexualidade errada. Apenas “convencionou-se” que homens devem fazer sexo com mulheres, assim como mulheres devem fazer sexo com homens. Essa é uma idéia baseada na crença (basicamente religiosa) de que o sexo é algo sujo e pecaminoso, devendo destinar-se exclusivamente à reprodução.
Você, felizmente, está descobrindo que o sexo é uma infinita fonte de prazer existencial. E que, felizmente, vai muito além do simples propósito de reprodução.
As mulheres evoluíram muuuuuuuuuuuuuuuuito nesse sentido. Inclusive, já são capazes de se reproduzirem por si mesmas, sem nenhuma ajuda presencial de um homem. Basta que decidam por ter um filho e se dirijam a um Banco de Sêmen...
Os homens, ao contrário, permanecem na “idade da pedra”, em termos de sexo, sexualidade e prazer.Sua maior preocupação não é a de “ter prazer” mas a de “manter a imagem da masculinidade”. Morrem de medo de “não serem” ou “deixarem de ser homens”, por terem feito isso ou aquilo que, dentro do vetusto e ultrapassado “código da masculinidade” possa vir a depor contra eles.
Já notou que as mulheres nunca “se pelam” nessa dúvida cruel de se são ou não mulheres por fazerem isso ou aquilo? Elas não estão nem aí. Brincam entre elas, andam de mãos dadas na rua, se beijam, se abraçam, dormem juntas, vestem-se com roupas masculinas, etc, etc, sem jamais “entrar em parafuso” com essa pergunta absolutamente ridícula: será que eu sou gay?
E se você for gay, hein? Que diferença faz? Em que é que o fato de você ser ou não gay vai contribuir para que você seja uma pessoa melhor ou pior nesse mundo? Quem lhe disse que o “certo” é ser “hetero” e o “errado” é ser gay, como você deixa transparecer na sua pergunta tão “perturbadora” quando “desproposital” e nonsense: - será que eu sou gay por gostar de travesti?
Notou que lhe importa muito menos o fato de “gostar” – que deveria ser o seu principal objeto de atenção – do que o fato de “ser gay”, que não tem a menor importância no contexto da sua felicidade e satisfação pessoal nesse mundo?
Será que você está querendo dizer que é preferível sofrer, padecer, reprimir-se e repudiar o seu desejo por travesti do que “correr o risco” de ser reconhecido como “gay” pelos outros? Você não acha muita tolice desprezar o seu “desejo real” em nome da manter uma “fachada” daquilo que a sociedade chama de masculinidade?
Antes de mais nada, diga-me o que é ser homem? E diga-me, também, o que distingue um homem de uma mulher ou de uma travesti? A propósito, o que é masculinidade? O que é feminilidade? Tente responder a essas questões e a sua cabeça vai dar um nó sem tamanho pois, apesar de serem coisas que a gente defende de unhas e dentes no dia a dia, ninguém sabe dizer exatamente o que é, exceto “moralistas”, “pregadores fundamentalistas” e outros embusteiros que baseiam suas conclusões dos seus próprios preconceitos e/ou se baseiam em idéias de cinco mil anos atrás ou mais.
Se a “sociedade” diz que a união deve acontecer entre um homem e uma mulher - e não entre um homem e uma travesti – caberá a você decidir como é que você deseja posicionar-se em relação a isso. Uma coisa é o que a sociedade diz; outra coisa é o que lhe diz o seu coração, o seu corpo e a sua cabeça. Para onde pende o seu “querer” mais íntimo e verdadeiro? O que vale são as suas respostas, não as respostas prontas que a sociedade tem para lhe oferecer.
Você gosta de fazer sexo com travesti? Faça. É isso que deixa você feliz? Pois então, o que está esperando? Ponha de lado essas perguntas tipo “isso é/não é coisa de macho?”, “isso é/não é coisa de gay?”, cujas respostas não terão jamais nenhuma importância concreta na definição da sua felicidade. E daí se for “coisa de gay”? E daí, se você for gay? Será que você será menos “você”, sendo gay, isto é, tendo orientação homossexual? Será que é bom pra você continuar vendendo por aí uma imagem de “macho hetero”, e vivendo uma vida miserável, totalmente infeliz por não estar sendo a pessoa que é e por não estar fazendo aquilo que o seu coração, seu corpo e a sua cabeça desejam?
Amar travestis não é crime e ser gay também não é. E o que importa mesmo é a relação entre duas pessoas humanas, independente de que rótulos elas tenham recebido por parte da sociedade.
A única consideração que eu teria para lhe fazer não tem nada a ver com você gostar de travesti e ser ou não ser gay. Como eu já lhe disse, essas coisas não fazem e não farão a menor diferença na sua história de vida.
O que realmente me chamou a atenção é de você estar casado com uma pessoa, no caso uma mulher, e estar tendo relacionamentos fora do casamento, motivado por insatisfação da vida a dois. Se fosse o contrário, ou seja, se fosse a sua esposa que estivesse se relacionando sexual e/ou afetivamente com outras pessoas você ficaria satisfeito com isso?
Em vez de você se perguntar uma tolice dessas – se é ou não gay por gostar de travestis – deveria se perguntar se é bom pra você permanecer dentro de uma relação sem querer realmente ficar nela. E pior: se é justo “trair” uma relação firmada com outra pessoa e que está lhe servindo apenas de “fachada pública” pois, como você disse, gostaria de terminar seu casamento e ir morar com uma travesti. Fora os eventuais problemas de promiscuidade da sua parte, que podem afetar a sua companheira, não é legal de maneira nenhuma trair os sentimentos ou os desejos de outra pessoa, seja ela uma mulher, um homem ou uma travesti, tal como você está fazendo, permanecendo dentro de um casamento onde você não se sente nem feliz, nem realizado nem satisfeito.
Ser ou não ser gay por gostar de travesti, repito, não tem nada a ver. São só preocupações machistas totalmente bobas e sem sentido. Pare com isso, ouça o seu coração, o seu corpo e a sua cabeça e vá atrás do seu desejo, da sua felicidade.
Agora, se não está bom ficar casado – seja com uma mulher, com um homem ou com uma travesti, pouco importa - se não é isso que você quer, caia fora da relação. Não fique ao lado de alguém só por conveniência, para manter uma “máscara” social aceitável. Isso faz muito mal, tanto pra você quanto pra outra pessoa.
Espero que você reflita sobre tudo isso e vá atrás do seu desejo. Você é a única pessoa que pode fazer por você.
Beijos,
Letícia Lanz
Por que homens procuram travestis?

























































