

SÃO PAULO - Primogênito de seis irmãos, Henrique Pereira da Rocha, 20 anos, é Nick Peron, o transformista que chocou deputados conservadores da Assembléia Legislativa ao apresentar seu show durante lançamento da Frente Parlamentar GLBTT ((gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais). Henrique é arrimo de família e divide seu tempo entre o trabalho de maquiador e cabeleireiro no Jardim Marajoara, na zona sul, e os shows onde se apresenta como drag queen entre sexta e domingo, a R$ 30 o espetáculo
Ele diz que não imaginou o tamanho da repercussão que suas jogadas de cabelo e seu strip-tease quase completo provocariam entre os deputados. Na apresentação, o transformista realizou dois números, utilizando máscaras, peruca e duas fantasias, uma delas de oncinha.
Na semana passada, irritados com as cenas gravadas pela TV Assembléia, parlamentares ligados a igrejas evangélicas passaram a acusar o deputado Carlos Giannazi (PSOL), coordenador da frente, de quebra de decoro parlamentar por não ter agido para impedir o espetáculo. Giannazi diz que os deputados consevadores vão mexer com vespeiro caso queiram levar adiante o assunto . Para ele, o embate é político.
Henrique explica:
- A apresentação foi do meu interesse. Eu queria mostrar, realmente, a cultura drag. Só não pensei que fosse chocar assim.
" Minha mãe sabe que sou homossexual e me apóia totalmente. É a minha melhor amiga. Mas não apóia esse negócio de drag. Por isso, nunca me monto na frente dela "
Longe dos palcos e no salão de cabeleireiro, Henrique mora na periferia, como muitos, e trabalha para sustentar a família, que é beneficiária de programas sociais do governo.
De família negra, mora com a mãe, o padrasto e os cinco irmãos em uma favela do Jardim Satélite, perto do Autódromo de Interlagos, na zona sul.
- Preconceito existe e eu sofro. Mas aqui onde vivo não tenho problemas - afirma. Tímido, Henrique diz que só saiu do armário aos 17 anos, idade em que também começou a se montar de drag queen para fazer show em casas noturnas gays da Avenida Robert Kennedy, na zona sul, e da região da Praça da República, no centro.
- Quando estou montada como drag, não existe timidez. Foi o que aconteceu na Assembléia. Não fiquei tímido. Fiz para protestar. Minha mãe sabe que sou homossexual e me apóia totalmente. É a minha melhor amiga. Mas não apóia esse negócio de drag. Por isso, nunca me monto na frente dela - diz Henrique, que sonha fazer faculdade na área de estética para conseguir aprimorar-se como cabeleireiro.
Antes de assumir o homossexualismo, Henrique namorou três meninas.
- Já sabia que era homossexual. Namorei porque era o começo e você não quer se assumir sexualmente - diz o cabeleireiro.
Ele conta que ficou sabendo do lançamento da frente parlamentar, fez a proposta para o deputado Carlos Giannazi, levou a produção e fez o show. Em uma das cenas mais contestadas pelos deputados que criticam o espetáculo, Nick Peron retira as roupas mais pesadas da fantasia, iniciando um strip que termina com poucas peças de roupa, apenas sutiã e calcinha à mostra.
" Naquela hora sou mulher "
- A drag quer mostrar o feminino dela, e não o ridículo. E é tudo mistério. Então, faz parte entrar com bastante roupa e ir tirando. Mas não no sentido de ficar sem roupa. Como naquela hora sou uma mulher, vou de calcinha e sutiã - explica.
- Eu estava lá para lutar contra a homofobia. Essa manifestação - contra a apresentação - já prova do preconceito da Assembléia. Daí já dá para ver como é a homofobia para quem não sabe o que é. Por que não pode colocar uma drag lá para defender os seus direitos e mostrar a cultura do homossexualismo? Fui lá para fazer show, sou um artista.
Da bancada dos evangélicos descontentes com o show, o deputado Waldir Agnello (PTB) promete encaminhar o caso nesta semana à comissão de ética da Assembléia.
- Queria que os deputados se preocupassem mais com os pobres mesmo - diz Nick.
Ele diz que não imaginou o tamanho da repercussão que suas jogadas de cabelo e seu strip-tease quase completo provocariam entre os deputados. Na apresentação, o transformista realizou dois números, utilizando máscaras, peruca e duas fantasias, uma delas de oncinha.
Na semana passada, irritados com as cenas gravadas pela TV Assembléia, parlamentares ligados a igrejas evangélicas passaram a acusar o deputado Carlos Giannazi (PSOL), coordenador da frente, de quebra de decoro parlamentar por não ter agido para impedir o espetáculo. Giannazi diz que os deputados consevadores vão mexer com vespeiro caso queiram levar adiante o assunto . Para ele, o embate é político.
Henrique explica:
- A apresentação foi do meu interesse. Eu queria mostrar, realmente, a cultura drag. Só não pensei que fosse chocar assim.
" Minha mãe sabe que sou homossexual e me apóia totalmente. É a minha melhor amiga. Mas não apóia esse negócio de drag. Por isso, nunca me monto na frente dela "
Longe dos palcos e no salão de cabeleireiro, Henrique mora na periferia, como muitos, e trabalha para sustentar a família, que é beneficiária de programas sociais do governo.
De família negra, mora com a mãe, o padrasto e os cinco irmãos em uma favela do Jardim Satélite, perto do Autódromo de Interlagos, na zona sul.
- Preconceito existe e eu sofro. Mas aqui onde vivo não tenho problemas - afirma. Tímido, Henrique diz que só saiu do armário aos 17 anos, idade em que também começou a se montar de drag queen para fazer show em casas noturnas gays da Avenida Robert Kennedy, na zona sul, e da região da Praça da República, no centro.
- Quando estou montada como drag, não existe timidez. Foi o que aconteceu na Assembléia. Não fiquei tímido. Fiz para protestar. Minha mãe sabe que sou homossexual e me apóia totalmente. É a minha melhor amiga. Mas não apóia esse negócio de drag. Por isso, nunca me monto na frente dela - diz Henrique, que sonha fazer faculdade na área de estética para conseguir aprimorar-se como cabeleireiro.
Antes de assumir o homossexualismo, Henrique namorou três meninas.
- Já sabia que era homossexual. Namorei porque era o começo e você não quer se assumir sexualmente - diz o cabeleireiro.
Ele conta que ficou sabendo do lançamento da frente parlamentar, fez a proposta para o deputado Carlos Giannazi, levou a produção e fez o show. Em uma das cenas mais contestadas pelos deputados que criticam o espetáculo, Nick Peron retira as roupas mais pesadas da fantasia, iniciando um strip que termina com poucas peças de roupa, apenas sutiã e calcinha à mostra.
" Naquela hora sou mulher "
- A drag quer mostrar o feminino dela, e não o ridículo. E é tudo mistério. Então, faz parte entrar com bastante roupa e ir tirando. Mas não no sentido de ficar sem roupa. Como naquela hora sou uma mulher, vou de calcinha e sutiã - explica.
- Eu estava lá para lutar contra a homofobia. Essa manifestação - contra a apresentação - já prova do preconceito da Assembléia. Daí já dá para ver como é a homofobia para quem não sabe o que é. Por que não pode colocar uma drag lá para defender os seus direitos e mostrar a cultura do homossexualismo? Fui lá para fazer show, sou um artista.
Da bancada dos evangélicos descontentes com o show, o deputado Waldir Agnello (PTB) promete encaminhar o caso nesta semana à comissão de ética da Assembléia.
- Queria que os deputados se preocupassem mais com os pobres mesmo - diz Nick.











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