Rio - O travesti Andréia Albertini (André Luiz Ribeiro Albertino), 21 anos — um dos três que se envolveram em confusão com o atacante Ronaldo Fenômeno no Motel Papillon, na Barra, segunda-feira —, poderá ser indiciado por extorsão e furto. Dois funcionários do motel e até o travesti Carla Tamini (Júnior Ribeiro da Silva) confirmaram a versão do jogador de que Andréia tentou extorquir R$ 50 mil dele para não revelar a noitada à imprensa. Os dois empregados também afirmaram ter visto Andréia furtando o documento do carro e pertences do Ford Fusion do jogador.
De acordo com o delegado Carlos Augusto Nogueira, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), ainda não é possível definir o que realmente ocorreu na suíte Butterfly e que todas as dúvidas serão esclarecidas na próxima semana, quando Ronaldo, Andréia e o terceiro travesti, Veyda Ganzaroli, prestarão depoimento. O delegado disse que vai instaurar inquérito para apurar extorsão, furto e ameaça. Somadas, as penas podem chegar a 18 anos de prisão.
“Em tese, tem aí uma extorsão e um furto, mas nós não vamos fazer nada sem ouvir todos os envolvidos”, disse o delegado, acrescentando que no depoimento de Carla ela não mencionou supostas ameaças de Ronaldo.
Um garçom e a gerente do motel prestaram depoimento à tarde e contaram que Carla e Veyda receberam o pagamento e foram embora pela manhã. Já Andréia teria gritado diversas vezes na portaria do Papillon “O Fenômeno fez um programa comigo e não quer me pagar!”, além de repetir que queria R$ 50 mil para não chamar a imprensa.
Nogueira contou que Ronaldo chorou na delegacia: “Ele se emocionou e disse: ‘Estão querendo armar para mim. É o fim da minha carreira. Eu vou ser execrado publicamente, mas não ia pagar R$ 50 mil por uma coisa que não fiz’”.
“Beijei muito na boca dele”, contou Andréia, acrescentando que o jogador dizia passar por momento difícil em sua carreira e que o tratamento para se recuperar era sexo. “Perguntou se R$ 50 mil calaria a minha boca. Eu disse que sim, e foi nessa hora que o suborno virou extorsão”, afirmou Andréia, que teve passagem pela polícia por lesão corporal quando era adolescente e foi interna em um abrigo.
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