sábado, 29 de dezembro de 2007

Travestis mortos no Rio foram vítimas de gangue, diz policial

Os dois travestis assassinados a tiros, na madrugada deste sábado, em Jacarepaguá, Zona Oeste da cidade, podem ter sido vítimas de uma gangue, segundo informou uma fonte policial que prefere manter o anonimato "para não atrapalhar as investigações", disse. Eles foram mortos em diferentes locais do bairro, em um intervalo aproximado de 30 minutos. A polícia ainda investiga os motivos, mas informou, em nota à imprensa, que a hipótese mais provável é homofobia.
As vítimas foram identificadas como Maycon Teixeira Karam Mendes, de 20 anos, e Alex Eduardo Silva, 38 anos.Segundo informações da Polícia Civil, Maycon lanchava em um trailer acompanhado de outro travesti, por volta das 3h20, quando dois homens se aproximaram em um veículo de cor prata e fizeram vários disparos. Maycon, que seria conhecido como Katlyn, foi socorrido e morreu no Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, mas o amigo dele nada sofreu.
Aproximadamente às 3h50, foi a vez de Alex ser assassinado. Ele estava na Estrada dos Bandeirantes, próximo ao Conjunto Habitacional da Merck, quando foi alvejado, supostamente pelos mesmos criminosos.A polícia recolheu nos dois locais 13 cápsulas de pistola calibre 380. As investigações estão a cargo da 32ª Delegacia de Polícia (Taquara).

Dois travestis são mortos a tiros na Zona Oeste

Segundo a polícia, vítimas não estavam juntas na hora do crime. Criminosos dirigiam um Pálio de cor cinza e conseguiram fugir

Dois travestis foram mortos a tiros na Taquara, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, na madrugada deste sábado (29). As informações são da assessoria da Polícia Militar.

Segundo a PM, os crimes aconteceram em lugares diferentes do bairro, um na Rua Atituba e o outro na Estrada dos Bandeirantes, e foram praticados por criminosos que estavam em um Pálio de cor cinza. A primeira vítima foi identificada como Maicon Teixeira Karan Mendes, 20 anos, que morreu na Rua Atituba. Ele chegou a ser levado para o Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, também Zona Oeste, mas não resistiu aos ferimentos. O outro corpo, ainda não identificado, foi encontrado pela polícia na Estrada dos Bandeirantes, com diversos tiros.Segundo a polícia, os criminosos do Pálio fugiram. O caso foi registrado na 32ª DP (Jacarepaguá).

Travestis e prostitutas são detidos por expor pornografia no Rio

Eles são suspeitos de colar fotos e panfletos nos telefones públicos de Copacabana. Serão indiciados por depredação de patrimônio público.

Dezoito travestis e prostitutas foram detidos na manhã desta terça-feira (26), suspeitos de depredação do patrimônio público e exposição de material pornográfico em logradouro público. Segundo denúncias, eles vinham colando fotos de mulheres nuas e panfletos de programas sexuais nos orelhões do bairro de Copacabana, na Zona Sul do Rio.
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Os suspeitos estão prestando depoimento na 12ª DP (Copacabana). Eles serão indiciados pelos dois delitos. Segundo Rodrigo Bethlem, da secretaria estadual de Governo, a operação faz parte do programa “Copabacana”, de controle e reordenamento do bairro. Bethlem conta que recebeu inúmeras denúncias por e-mail sobre a depredação dos orelhões e da divulgação do material pornográfico.

Com o auxílio do serviço reservado do 19º BPM (Copacabana), o secretário conseguiu localizar e identificar os responsáveis pela colagem do material. “Não vamos tolerar esse tipo de desordem no bairro. Vamos continuar fazendo operações para estabelecer o controle urbano”, disse Bethlem.

Grupo de travestis assalta duas pessoas em Copacabana


Segundo o casal assaltado, foram roubados celulares, dinheiro e documentos. Dois suspeitos foram reconhecidos pelas vítimas e presos na Avenida Atlântica.


Um grupo com cerca de dez travestis assaltou um casal na madrugada desta sábado (29) em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Segundo as vítimas, o rapaz dava a volta em seu carro, depois de abrir a porta do carona para a mulher, quando foi abordado pelo bando. Nervosa, a mulher se trancou no carro e chamou a polícia. De acordo com a ocorrência policial, os dois fizeram, então, uma ronda com PMs e reconheceram dois dos assaltantes a poucos metros do local do roubo, na Avenida Atlântica.
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Francisco Daniel Damázio de Souza, de 18 anos, e Fagner Augusto Martins, de 22, foram presos em flagrante e autuados por roubo, extorsão e dano. Com eles, foi encontrado o celular de uma das vítimas. Levados para a 14ª DP (Leblon), eles se recusaram a depor. Os suspeitos disseram que só vão falar em juízo e seguiram para a 12ª DP (Copacabana).

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007


Ministério faz campanha pela qualidade de vida de travestis e transexuais

Com o slogan "Travesti e Respeito. Já está na hora dos dois serem vistos juntos. Em casa. Na boate. Na escola. No trabalho. Na vida", o Ministério da Saúde está lançando uma polêmica campanha para impedir o avanço do HIV/aids, reduzir o preconceito da sociedade e melhorar a auto-estima de travestis e transexuais. A polêmica é que os cem mil guias de orientação só serão distribuídos em ambientes sabidamente freqüentados por esse público específico. Travestis e transexuais dizem, no entanto, que o combinado com a Coordenação Nacional de DST e Aids era divulgar a campanha em escolas, nas ruas, e em outros pontos do país para permitir, entre outras coisas, o acesso de travestis e transexuais às salas de aula. Muitas não freqüentam escolas por causa do preconceito. Ao lado, uma das fotos que serão usadas na campanha do Ministério da Saúde.
Bush corta verba para projetos deprevenção à aids no Brasil
Uma péssima notícia para os 11 projetos brasileiros de combate à aids que recebiam recursos da USAID – Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional. Os Estados Unidos, por determinação do governo Bush, estão cancelando o repasse dos 8 milhões de dólares que seriam aplicados na prevenção ao HIV/aids no Brasil. O corte irá afetar dezenas de milhares de brasileiros em situação de risco, inclusive homens, mulheres e crianças de baixa renda, atendidos pelos projetos financiados pela USAID tais como o Barong – uma iniciativa itinerante de prevenção às DST e aids em São Paulo – e o Transformarte – projeto premiado na 7ª Conferência de Aids dos Estados Unidos, que ajuda a passar informações sobre a epidemia a crianças e adolescentes da favela da Rocinha no Rio de Janeiro. A notícia pegou de surpresa as ONGs, que, a partir de agora, terão que buscar novas formas de captação de recursos para darem prosseguimento aos trabalhos que vinham sendo realizados. Com isso, muitos colaboradores poderão ser dispensados e muitas ações de prevenção serão canceladas.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

O QUI E HOMOFOBIA?


O que é a homofobia?
Homofobia caracteriza o medo e o resultante desprezo pelos homossexuais que alguns indivíduos sentem. Para muitas pessoas é fruto do medo de elas próprias serem homossexuais ou de que os outros pensem que o são. O termo é usado para descrever uma repulsa face às relações afectivas e sexuais entre pessoas do mesmo sexo, um ódio generalizado aos homossexuais e todos os aspectos do preconceito heterossexista e da discriminação anti-homossexual.
O que é o heterossexismo?
O termo "heterossexismo" não é familiar para muitos porque é relativamente recente. Só há relativamente pouco tempo é que tem sido utilizado, juntamente com "sexismo" e "racismo", para nomear uma opressão paralela, que suprime os direitos das lésbicas, gays e bissexuais. Heterossexismo descreve uma atitude mental que primeiro categoriza para depois injustamente etiquetar como inferior todo um conjunto de cidadãos. Numa sociedade heterossexista, a heterossexualidade é tida como normal e todas as pessoas são consideradas heterossexuais, salvo prova em contrário. A heterossexualidade é tida como "natural", quer em termos de estar próxima do comportamento animal, quer em termos de ser algo inato, instintivo e que não necessita de ser ensinado ou aprendido.
Quando seres humanos dizem que algo é "natural", em oposição a um comportamento "adquirido" através de um processo de aprendizagem, geralmente querem dizer que não é possível desafiá-lo nem mudá-lo e que seria até mesmo perigoso tentar fazê-lo. No passado, dominava a ideia de que os homens eram "naturalmente" melhores nas ciências e no desporto e líderes natos, mas as mulheres tiveram a oportunidade de desafiar estas ideias e de mostrar o homem e a mulher numa perspectiva completamente diferente. Este desafio foi facilmente perpetuado assim que se começou a evidenciar que os homens são empurrados para posições de vantagem por uma sociedade que está estruturada para os beneficiar, um processo (a opressão das mulheres) mais tarde denominado de sexismo. Do mesmo modo, tem-se tornado evidente que a heterossexualidade, tal como a dita superioridade masculina, é tão natural, como adquirida. O facto de a maioria dos homens e mulheres a escolherem como a sua forma preferida de sexualidade tem por vezes mais a ver com persuasão, coerção e a ameaça de ostracização do que com a sua superioridade como forma de sexualidade.
O heterossexismo está institucionalizado nas nossas leis, orgãos de comunicação social, religiões e línguas. Tentativas de impôr a heterossexualidade como superior ou como única forma de sexualidade são uma violação dos direitos humanos, tal como o racismo e o sexismo, e devem ser desafiadas com igual determinação.
Consequências da homofobia




Manifestações de homofobia internalizada
1. Negação da sua orientação sexual (do reconhecimento das suas atracções emocionais e sexuais) para si mesmo e perante os outros.
2. Tentativas de mudar a sua orientação sexual.
3. Sentir que nunca se é "suficientemente bom" (por vezes tendência para o "perfeccionismo").
4. Pensamentos obsessivos e/ou comportamentos compulsivos.
5. Fraco sucesso escolar e/ou profissional; ou sucesso escolar e/ou profissional excepcional, como forma de ser aceite.
6. Desenvolvimento emocional e/ou cognitivo atrasado.
7. Baixa auto-estima e imagem negativa do próprio corpo.
8. Desprezo pelos membros mais "assumidos" e "óbvios" da comunidade Gay, Lésbica, Bissexual e Transgender.
9. Desprezo por aqueles que ainda se encontram nas primeiras fases de assumir a sua homossexualidade.
10. Negação de que a homofobia/o heterossexismo/a bifobia/a transfobia/o sexismo são de facto problemas sociais sérios.
11. Desprezo por aqueles que não são como nós; e/ou desprezo por aqueles que se parecem connosco.
12. Projecção de preconceitos num outro grupo alvo (reforçado pelos preconceitos já existentes na sociedade).
13. Tornar-se psicologica ou fisicamente abusivo; ou permanecer num relacionamento abusivo.
14. Tentativas de passar por heterossexual, casando, por vezes, com alguém do sexo oposto para ganhar aprovação social ou na esperança de "se curar".
15. Crescente medo e afastamento de amigos e familiares.
16. Vergonha e/ou depressão; defensividade; raiva e/ou ressentimento.
17. Esforçar-se pouco ou abandonar a escola; faltar ao trabalho/fraca produtividade.
18. Controlo contínuo dos seus comportamentos, maneirismos, crenças e ideias.
19. Fazer os outros rir através de mímicas exageradas dos estereótipos negativos da sociedade.
20. Desconfiança e crítica destrutiva a líderes da comunidade GLBT.
21. Relutância em estar ao pé ou em mostrar preocupação por crianças por medo de ser considerado "pedófilo".
22. Problemas com as autoridades.
23. Práticas sexuais não seguras e outros comportamentos destrutivos e de risco (incluíndo riscos de gravidez e de ser infectado com HIV).
24. Separar sexo e amor e/ou medo de intimidade. Por vezes pouco ou nenhum desejo sexual e/ou celibato.
25. Abuso de substâncias (incluíndo comida, álcool, drogas e outras).
26. Desejo, tentativa e concretização de suicídio. Factos
- A homofobia/o heterossexismo/a bifobia/a transfobia são formas de opressão , não são simples medos.
- A homofobia/o heterossexismo/a bifobia/a transfobia estão infiltrados na sociedade.
- É difícil não internalizar as noções negativas da sociedade em relação à homossexualidade, bissexualidade e transgenderismo.
- Não temos culpa se internalizamos estas noções negativas.
- Há passos que podem ser dados para reduzir, ou mesmo eliminar, a opressão internalizada.
- Trabalhar para eliminar a opressão internalizada é um processo longo - por vezes de uma vida inteira.
Traduzido por Rita P. Silva de "Internalized Homophobia: From Denial to Action - An Interactive Workshop" de Warren J. Blumenfeld

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007




Crossdressing e Hormônios

O assunto “hormônio” tem sido muito comentado ultimamente entre minhas amigas CDs: usá-los, não usá-los, o assunto é sempre polêmico. Para mim a questão é simples: crossdresser não se hormoniza, ponto final. E porque esta minha posição tão radical?
Se imaginarem que é porque eu tenha algo contra a harmonização, ou contra quem se harmoniza, estão enganados, pois não tenho (desde é claro que com o adequado acompanhamento médico). Apenas estou tentando colocar os pingos nos "is".
Para mim, em primeiro lugar é uma simples questão de lógica: se crossdresser é o indivíduo que quando “desmontado” não dá “bandeira” e faz questão de continuar levando sua vida de uma forma convencional, como é que vai conseguir fazê-lo quando os seios começarem a crescer, as formas arredondar-se, a massa muscular atrofiar, os pelos desaparecerem, etc, etc...? Não vai dar, não é verdade? E mais cedo ou mais tarde o sujeito vai ter que assumir que um homem comum ele não é. Com todas as conseqüências que advirão.
Em segundo lugar, e em se tratando de crossdressers, tenho certeza que para conseguir uma imagem e uma postura femininas não são necessários hormônios femininos. Atitude, postura e a convicção que vem “de dentro” bastam.
E terceiro, por todas as crossdressers que já conheci (e não foram poucas) pude verificar que os hormônios nada mais fizeram que dar formas e suprimir pêlos (nem falo dos efeitos colaterais): quem não era feminina antes da harmonização, não ficou depois. E quem já era não ficou mais.
Então, se você imagina que é ou gosta de entender-se como crossdresser e começar a tomar hormônios, pense melhor sobre si mesmo: você não é o que está pensando que é, mesmo que, independentemente dos motivos que possa alegar, continue tentando levar uma vida de homem comum. Seu caminho meu querido, é outro . E não se iluda: ele é muito mais difícil.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

'Não pensei que fosse chocar assim', diz transformista que fez show na Assembléia Legislativa




SÃO PAULO - Primogênito de seis irmãos, Henrique Pereira da Rocha, 20 anos, é Nick Peron, o transformista que chocou deputados conservadores da Assembléia Legislativa ao apresentar seu show durante lançamento da Frente Parlamentar GLBTT ((gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais). Henrique é arrimo de família e divide seu tempo entre o trabalho de maquiador e cabeleireiro no Jardim Marajoara, na zona sul, e os shows onde se apresenta como drag queen entre sexta e domingo, a R$ 30 o espetáculo
Ele diz que não imaginou o tamanho da repercussão que suas jogadas de cabelo e seu strip-tease quase completo provocariam entre os deputados. Na apresentação, o transformista realizou dois números, utilizando máscaras, peruca e duas fantasias, uma delas de oncinha.
Na semana passada, irritados com as cenas gravadas pela TV Assembléia, parlamentares ligados a igrejas evangélicas passaram a acusar o deputado Carlos Giannazi (PSOL), coordenador da frente, de quebra de decoro parlamentar por não ter agido para impedir o espetáculo. Giannazi diz que os deputados consevadores vão mexer com vespeiro caso queiram levar adiante o assunto . Para ele, o embate é político.
Henrique explica:
- A apresentação foi do meu interesse. Eu queria mostrar, realmente, a cultura drag. Só não pensei que fosse chocar assim.
" Minha mãe sabe que sou homossexual e me apóia totalmente. É a minha melhor amiga. Mas não apóia esse negócio de drag. Por isso, nunca me monto na frente dela "
Longe dos palcos e no salão de cabeleireiro, Henrique mora na periferia, como muitos, e trabalha para sustentar a família, que é beneficiária de programas sociais do governo.
De família negra, mora com a mãe, o padrasto e os cinco irmãos em uma favela do Jardim Satélite, perto do Autódromo de Interlagos, na zona sul.
- Preconceito existe e eu sofro. Mas aqui onde vivo não tenho problemas - afirma. Tímido, Henrique diz que só saiu do armário aos 17 anos, idade em que também começou a se montar de drag queen para fazer show em casas noturnas gays da Avenida Robert Kennedy, na zona sul, e da região da Praça da República, no centro.
- Quando estou montada como drag, não existe timidez. Foi o que aconteceu na Assembléia. Não fiquei tímido. Fiz para protestar. Minha mãe sabe que sou homossexual e me apóia totalmente. É a minha melhor amiga. Mas não apóia esse negócio de drag. Por isso, nunca me monto na frente dela - diz Henrique, que sonha fazer faculdade na área de estética para conseguir aprimorar-se como cabeleireiro.
Antes de assumir o homossexualismo, Henrique namorou três meninas.
- Já sabia que era homossexual. Namorei porque era o começo e você não quer se assumir sexualmente - diz o cabeleireiro.
Ele conta que ficou sabendo do lançamento da frente parlamentar, fez a proposta para o deputado Carlos Giannazi, levou a produção e fez o show. Em uma das cenas mais contestadas pelos deputados que criticam o espetáculo, Nick Peron retira as roupas mais pesadas da fantasia, iniciando um strip que termina com poucas peças de roupa, apenas sutiã e calcinha à mostra.
" Naquela hora sou mulher "
- A drag quer mostrar o feminino dela, e não o ridículo. E é tudo mistério. Então, faz parte entrar com bastante roupa e ir tirando. Mas não no sentido de ficar sem roupa. Como naquela hora sou uma mulher, vou de calcinha e sutiã - explica.
- Eu estava lá para lutar contra a homofobia. Essa manifestação - contra a apresentação - já prova do preconceito da Assembléia. Daí já dá para ver como é a homofobia para quem não sabe o que é. Por que não pode colocar uma drag lá para defender os seus direitos e mostrar a cultura do homossexualismo? Fui lá para fazer show, sou um artista.
Da bancada dos evangélicos descontentes com o show, o deputado Waldir Agnello (PTB) promete encaminhar o caso nesta semana à comissão de ética da Assembléia.
- Queria que os deputados se preocupassem mais com os pobres mesmo - diz Nick.

sábado, 24 de novembro de 2007

Itália desbarata grupo que levava travestis do Brasil

A Polícia Militar de Roma prendeu nesta semana três integrantes de uma quadrilha que obrigava transexuais brasileiros a trabalhar na via Palmiro Togliatti, conhecida rua de prostituição masculina da capital italiana.
Os três --um brasileiro e dois italianos-- foram presos a partir de uma denúncia feita por um travesti brasileiro, que teria sido explorado pelo bando.
Com uma dívida de 12 mil euros [mais de R$ 31 mil], valor cobrado aos travestis pelos "serviços" da quadrilha, o rapaz denunciou o grupo ao serviço social da Prefeitura de Roma, afirmando ser vítima de exploração.
Conforme informações do Núcleo Operativo dos Carabinieri da via In Selci, onde foram feitas as investigações, a quadrilha se dedicava ao recrutamento dos brasileiros e era responsável por colocá-los na rua.
"Era o brasileiro que organizava toda a operação de ingresso de seus conterrâneos na Itália", disse à BBC Brasil o major Lorenzo Sabatino, comandante do Núcleo dos Carabinieri.
"Depois de entrarem no país, viravam vítimas da prostituição de rua. Todos os transexuais eram obrigados a pagar o que recebiam diariamente para saldar o débito com a quadrilha."
De acordo com o major Sabatino, além dos três presos, também foram notificadas outras oito pessoas, responsáveis pelo alojamento, acompanhamento dos transexuais brasileiros ao local de prostituição e controle da atividade deles.
Expulsão
Nesses alojamentos, a polícia romana notificou também 12 transexuais brasileiros. Oito receberam documento formal de expulsão e deverão deixar o país. Os quatro restantes foram presos por serem reincidentes.
Eles já tinham sido avisados que deveriam retornar ao Brasil por estarem ilegalmente na Itália, mas nunca cumpriram a ordem de expulsão.
"Iniciamos as investigações no final de 2005", informou Sabatino. "O jovem brasileiro nos informou que, além dele, vários conterrâneos estavam nas mãos dessa organização, que financiava a entrada ilegal deles na Itália."
Os policiais acreditam que o grupo exigia os 12 mil euros para pagar a passagem aérea do Brasil, o aluguel dos apartamentos onde os transexuais dormiam e o pedaço de calçada em que trabalhavam.
"Várias pessoas foram ouvidas. Prendemos os chefes da quadrilha e conseguimos localizar seis apartamentos, em diferentes bairros de Roma, que abrigavam os brasileiros clandestinos. Os três presos irão responder pelos crimes de favorecimento da prostituição e exploração da imigração clandestina."
A polícia não sabe informar o número total de transexuais do Brasil que se prostituem nas ruas da capital italiana. Mas acredita que vários grupos estejam tirando proveito da situação de ilegalidade dos brasileiros na cidade para ganhar dinheiro.
Na Itália, é ilegal tirar proveito da prostituição. Quem ganha ilegalmente, explorando homens ou mulheres corre o risco de ser preso.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Quanto maior melhor (e olha que é de seios que estamos falando)


Ir numa reunião de travestis é quase estar num concurso de beleza. As amigas ficam comparando o tamanho dos seus seios e dos seus bumbuns com o tamanho dos das outras, como se elas fossem mais mulher quanto maior o atributo. Só que ser mais ou menos mulher está dentro da sua cabeça e não numa prótese de silicone. Quem é mais mulher a Ana Paula Arósio ou a Feiticeira? Cada um tem a sua opinião, mas para mim a Ana Paula Arósio com seus seios pequenos dá um baile como mulher na Feiticeira, com todas as suas próteses e corpo malhadíssimo.Colocar silicone, tomar hormônio é uma forma de externar o que você vive, como se enxerga. E se você se enxerga como uma mulher, deve tentar ficar o mais harmônica possível com a sua auto-imagem, e não cair num concurso do maior "peitão". Se você entra na lógica do concurso, pode acabar virando uma mondronga, tendo seios que seu corpo nem sequer suporta, um bumbum que qualquer um vê que não é seu.Ser uma mulher travesti é mais do que ter dois melões. É ser feminina, companheira, enfim, agir e pensar como uma mulher. Pensem nisto e parem com o concurso, quem sai perdendo somos todas nós!

****RENATA ANDRADE*** (((CLIQUE EM CADA FOTO PARA AMPLIAR)))
























































quinta-feira, 22 de novembro de 2007


Montando-se pela primeira vez





Se você é uma crossdresser ou quer se montar como tal, vou passar algumas dicas para a sua primeira montaria. Nada profissional, ok? Não são dicas para drags, mas para crossdresser. Primeira dica, una os recursos disponíveis: veja se tem peruca, calcinha, meia calça, sutiã, uma roupinha feminina, maquiagem,... Isto é o básico. Se não tem compre. Pouca gente dá importância para a peruca, mas sem ela você consegue no máximo ficar um dublê da Elis Regina.
Comece primeiro pela roupa íntima. Coloque a calcinha e o sutiã. Por dentro do sutiã coloque duas meias de tamanho semelhante. Outra solução é formar os seios com papel higiênico. Depois da roupa íntima coloque a meia-calça. Ao ficar com um garoto você vai entender o porque de colocar a meia calça depois. A meia-calça deve ser bem escura caso você ainda tenha pêlos nas pernas. Dê preferência meia-calça preta.
Siga para a roupa e lembre-se: crossdresser se aproxima ao máximo de uma mulher comum. Por isto, coloque roupas de mulheres comuns, nada muito fashion ou chamativo. Não somos drags, somos crossdresser. Se você ainda tem muitos pêlos dê preferência as roupas mais compridas. Aproveite que agora é inverno, que você pode usar até gola alta.
Faça a sua maquiagem. Vale o mesmo que a roupa, nada muito chamativo. Maquiar demais também algo agressivo. Vou dar algumas dicas de maquiagem na próxima coluna. Por último coloque a peruca e pronto menina, você está montada.

Querem de graça, mas não querem pagar o preço

Nem toda a travesti se prostitui, mas esta é uma opção (ou falta de opção) para boa parte delas. Por isto, boa parte das travestis usa do seu corpo como ganha pão, o nosso ganha pão é o nosso corpo. Daí aparece um rapaz numa lista de discussão, num chat ou até mesmo na rua, que diz que tem verdadeira paixão por travesti, mas não costuma sair porque seria frustrante pagar para ter sexo com uma..Alguns chegam a dizer que querem namorar você, que ele procura algo sério com uma travesti e que só sente completo na cama com uma. Na cama, porque não quer pagar o preço. No outro dia, você vai ao Shopping ou qualquer outro lugar e encontra exatamente o rapaz da noite passada. Ele finge que não lhe vê, ou melhor, finge que não lhe conhece.Eles querem de graça, mas não querem pagar o preço. É muito fácil se declarar apaixonado por travestis e realmente ser. É fácil dizer que quer namorar uma. O difícil é conviver fora da cama com o preconceito. Afinal, não queremos um namorado que só aparece de madrugada, que só nos quer na cama. Somos normais, e gostamos de ir ao Shopping, passear, sair para jantar, ir ao cinema. Queremos um namorado, não somente um garanhão. E este é o preço de namorar, de ter um relacionamento com uma travesti: enfrentar com ela o preconceito da sociedade.

Mercado de trabalho para travestis


Que a nossa sociedade é preconceituosa todo mundo sabe. Que o mercado de trabalho é concorrido, também. E poucas pessoas conhecem tão bem esta realidade como as travestis, que enfrentam um mercado de trabalho concorrido com as chagas do preconceito.
As travestis que procuram trabalho no mercado formal devem saber de saída que dificilmente ganharão tão bem e tanto como no mercado informal que boa parte está inserida. Mas ao menos isto não vale somente para as travestis, já que a prostituição também rende muito mais para os homens e mulheres não transgêneros que se prostituem.
Sair da batalha pode representar a queda do poder aquisitivo, mas caso julgue compensatório em outros aspectos da sua vida, algumas dicas de mercado de trabalho indicadas por outras travestis.
1) Primeiro de tudo estude. Para ter uma posição um pouco melhor no mercado de trabalho é necessário estudo. Pode ser difícil enfrentar o preconceito na escola, mas lembre-se que ao não enfrenta-lo agora possivelmente as coisas só irão ser acumuladas: você não enfrenta o preconceito na escola, mas enfrenta o preconceito no mercado de trabalho. Caso queira ser advogada, estude direito; caso queira ser médica, estude medicina e assim por diante.
2) Profissões tradicionalmente ocupadas por gays e travestis são tão dignas como qualquer outra. Ou seja, você ser cabeleireira, manicure, esteticista é uma opção. Vale o primeiro tópico: estude, seja especialista no que faz e tente se diferenciar.
3) Pela legislação, qualquer brasileiro nato pode se candidatar a um cargo público. Assim, os concursos públicos são uma alternativa para ocupar um cargo formal e oferecem vagas para todos os níveis de escolaridade. Além disto, nas instituições públicas o preconceito pode ser denunciado e punido, sendo uma das alternativas para ocupar um trabalho formal, com um salário mais digno e com certa estabilidade. O jornal Correio Braziliense mantém uma base de dados, com acesso gratuito sobre concursos.
4) No mercado GLS há uma maior abertura para a ocupação de travestis e transexuais, podendo atuar em lojas, casas noturnas, saunas, nas mais diversas funções.
5) No mercado artístico também há várias atividades que podem ser desenvolvidas por travestis, como em shows, artes plásticas, literatura, música e etc. Los Roldán foi protagonista de uma telenovela na Argentina.
6) Por último, vale mais a pena meter a cara do que ficar em casa esperando. E não tenha vergonha de ser candidata em vagas da iniciativa privada. A vaga pode lhe ser negada, como possivelmente será negada a outras pessoas, porém você pode ser selecionada. E quanto mais travestis procurarem empregos no mercado formal, inclusive na iniciativa privada, maior será a aceitação das mesmas neste tipo de entrevista.

As Possuídas ((CROSSDRESSER))


Que me perdoem os espíritas (cada um tem a sua fé), mas quanto mais eu converso com outras crossdressers, mais eu me assusto. Hoje, uma veio falar no meu MSN que estava buscando tratamento espiritual, já que ela era na realidade possuída quando se montava; possuída por duas pombas giras que a obrigavam a se vestir e se comportar como mulher. Podemos até estar falando de possessão, mas não uma possessão sobrenatural.
É muito simples culpar aos espíritos, por assim dizer, dos atos que tomamos quando estamos garotas. “Não, eu não sou gay, eu não gosto de homem, são os espíritos que me forçam a ficar com homens”, nada mais conveniente, nada mais falso. Não são os espíritos que fazem você ter desejo por homens.
Você tem o desejo por homens, mas como não consegue administrar muito bem isto na sua cabeça, acaba por criar um personagem, alguém que possa fazer isto, sem te causar tanta culpa.
Ou então, você é uma das crossdressers héteros, que não curtem homens, mas em algum ponto na sua infância ou adolescência teve uma maior identificação com uma figura feminina do que com uma masculina. Mas você não pode demonstrar isto, teme ser confundindo com gay, não ser compreendido. Daí vem ela, o seu lado garota, para permitir que você use todo ou qualquer símbolo do universo feminino, para finalmente poder se identificar com aquilo que estava lá na sua infância, e então se sente mais completa, mais compreendida.
Posso citar milhares de exemplos de motivos para você ser uma cd. Cada uma possui o seu, mas gosto sempre de lembrar que nossas meninas não vieram para nos julgar, nos amaldiçoar ou nos colocar em situações de risco. Elas vieram nos libertar, comunicar, enfim, são uma fonte enorme de autoconhecimento. Não somos possuídas, estamos apenas nos conhecendo.

Desejo por Travestis

No começo era o amor, descobriu-se o tesão, iniciou-se a confusão. Que os seres humanos são complexos todos concordam. O que muitas vezes não conseguimos admitir é a diversidade que nos cerca no que tange sentimento e sexualidade. Somos tão plurais que não existimos sozinhos. Raramente vivemos como ermitões, por mais sozinh@s que possamos estar.
Dentro desta amplitude de variações, orientações e condições sexuais, e por que não dizer, sentimentais, nos defrontamos com tabús, preconceitos e muita ignorância. Por que temos que sempre separar sexo de sentimento? Não falo de amor (somente!), mas refiro-me a sentimentos no sentido mais puro que existe: o de coisas que mexem com nosso interior, necessidades e vontades. Antes de iniciar meu texto propriamente dito, gostaria que parássemos de vez com este medo que quase sempre nos envolve. Solte-se! Libere-se! Seja você mesmo em sua essência, sem máscaras ou enganações.
Pronto, agora que você consegiu este importante passo, vamos refletir juntos. O que é o diferente? – Aquilo que não faz parte de nós mesmos em lugar nenhum de nosso íntimo. O que é o anormal? – Aquilo que não desejamos, que julgamos pecado, sujo, maldito e impuro. O que é errado no que diz respeito a sexo e sentimento? – Nada. Isto mesmo, nada que nos faça mais felizes e que não prejudique terceiros pode estar errado (Quando falo prejudicar, não me refiro a questionamentos morais e religiosos. Cada qual sabe o que é eticamente moral e politicamente correto no que tange suas crenças e sua fé).
Agora vou falar do assunto que me trouxe aqui: o desejo pelas travestis. Não procurarei explicar quem são as travestis, nem como elas pensam, o que desejam e com o que sonham. Irei neste artigo, abordar o interesse de homens (em grande escala) e também de mulheres (em menor escala) por travestis. Fiz esta enquete em meu site, durante algum tempo obtive respostas curiosissímas que me levaram a refletir muito sobre todo este mistério que envolve o tesão e prazer, por estes seres que muitas vezes são incompreendidos e marginalizados infelizmente: as travestis.
Repito que este é somente um artigo e não possui cunho científico algum. É somente para ampliarmos a visão do mundo que nos cerca e das diversas pessoas que nele convivem. É um artigo para que deixemos um pouco de lado nossas certezas, e possamos imaginar que muitas são as verdades neste quebra-cabeças da vida.
Não poderia eu deixar de mencionar, em primeiro lugar, os vários pontos comuns que encontrei nos depoimentos que colhi nesta pesquisa: Quase 80% se declararam fãs de travestis devido à dualidade feminino/masculino Mais de 83% citaram o pênis como um grande atrativo das travestis (sem considerarem as travestis como sendo homens) 75% gostam nas travestis da cabeça liberal e do sexo sem restrições e/ou limites 94% afirmam serem as travestis mulheres com “algo a mais”, mais completas e que fazem melhor sexo anal e/ou oral 13% buscam sair com as travestis para usarem suas roupas e soltarem suas fantasias de “serem mulheres” por algum tempo 47% dizem encontrar nas travestis, pessoas mais compreensivas e abertas ao diálogo. 90% dos entrevistados mencionam que as travestis sabem dar mais prazer a um homem e conhecem melhor o corpo do homem com quem está. 65% declaram que travestis são mais fogosas e querem sexo a toda hora. 70% citam a extravagância dos modos, as roupas exuberantes e o corpo avantajado como a maior riqueza para procurar as travestis. 82% elegem nas travestis o cuidado consigo mesmas, com a estética e com a beleza da sua transformação.
Analisando ainda as respostas dadas, percebe-se que muitos homens saem com travestis por quererem uma relação mais completa (seja sendo ativo, fazendo passivo, recebendo ou fazendo sexo oral). Gostam deste leque de opções que a travesti oferece como poder de sedução. Percebe-se que no mercardo da prostituição é mais valorizada a travesti que faz mais coisas, sexualmente falando. Não importa muito quantas linguas ela fale ou que faculdade ela terminou (quando consegue!). O que interessa é a versatilidade na hora de dar e receber prazer. A valoração é diretamente proporcional: quanto mais faz sexualmente, mais cotada a travesti fica.
Há uma rejeição muito grande do masculino. Todos foram quase unânimes em afirmar que buscam a travesti mais feminina, mas sempre com o “adereço” masculino mais proeminente e avantajado. A idéia de uma mulher com pênis é muito forte, bem como a de uma “mulher” com atributos acima do padrão estético comum. Quanto mais bunda tiver, mais peito colocar e melhor ereção manter, mais requisitada será a travesti. Há lógico os que não buscam prazer no pênis da travesti e que não se excitam em ver, tocar ou manusear o órgão sexual dela, mas estes casos são bem raros, pelo menos na enquete que estou tomando por base. A maioria esmagadora rejeita a hipótese de transar com homens, até mesmo quando são passivos com as travestis. Não sentem-se bissexuais e nem homossexuais. Ficam até ofendidos com este tipo de considerações.
Muito forte está o conceito da liberalidade das travestis com relação às questões sexuais. É unanimidade quase total, que travestis são mais fogosas, permitem realizar fantasias e desejos secretos (por mais secretos que sejam) , e não necessitam em troca receber o vínculo do compromisso ou do relacionamento. Na opinião das pessoas que participaram do questionamento, as travestis estão sempre prontas quando se deseja, maquiadas, femininas e cheirosas quando se quer e loucas por sexo no mesmo momento em que são procuradas. A imagem sexual da travesti é sempre mencionada em todos os relatos, e só em 4% houve menção a algo mais romântico ou não simplesmente sexual.
A curiosidade em saber como é ousar o “natural” estipulado pela nossa sociedade e ultrapassar o limite imposto do gênero, também recebem destaque na opção por procurar uma travesti. No pensar de alguns, vem a reflexão: “Como podem mulheres tão lindas, estupendas e maravilhosas, serem homens como eu?”. Vários são os que dizem que mulheres não gostam tanto de homens quanto as travestis. A dedicação da travesti em realizar o homem, e em vê-lo cheio de prazer e ejaculando, são mais algumas das muitas características que foram mencionadas.
O sexo anal vem bem cotado na lista dos porquês de sair com uma travesti. O tabú com relação ao sexo anal entre as mulheres ainda é grande, e algumas das que aderem a esta modalidade sexual, o fazem simplesmente pelo prazer do parceiro. E não por sentirem prazer com o sexo anal. Os homens ressaltam o prazer que as travestis têm sendo possuidas pelo ânus e de quatro, os sussuros e gemidos que são dados durante a penetração e o tesão que explode de forma visível pelo pênis da travesti depois de uma transa realmente gratificante.
Há ainda alguns casos que aconteceram em menor escala, mas creio serem importantes de receberem menção, se não pela quantidade, pela curiosidade do fato em si. Apareceram poucos depoimentos, mas muito incisivos, de homens que saem com travestis por não terem coragem de sair com homens. O desejo é por homens, mas as travestis são uma espécie de atalho enquando não surge a coragem necessária para sair com alguém do mesmo sexo. Como eu já disse anteriormente, a quase totalidade das pessoas aprova a idéia de que travestis não são homens, mas sim “mulheres com um detalhes a mais”. Neste sentido, as travestis vem a ser o caminho mais curto para se chegar mais perto do que se deseja, sem passar pelos grilos, neuroses e cobranças que uma relação homossexual possa vir a acarretar.
Também três mulheres participaram da enquete e foram categóricas em afirmar que saem com travestis e que gostam de pagar. E que pagando, gostam de mandar. Falam da docilidade de muitas travestis em atender aos pedidos sem questionamentos maiores e também do prazer que sentem em estarem com um homem que não tem medo de assumir seu lado mais feminino, chegando até a exteriorizá-lo no seu cotidiano.
Nossa, quantas coisas numa simples enquete e num rápido questionamento. Creio que não temos como não refletir diante disto tudo, independentemente de nossa orientação sexual. Para mim, várias coisas ficaram mais claras e muitas foram levantadas sem que eu nunca tivesse sequer pensado a respeito. Das que ficaram mais claras é que a questão do gênero deve sempre servir de base para todas as discussões que envolvam sexualidade e seres humanos, e que ainda estamos engatinhando na descoberta da enorme diversidade que somos. Já no que tange o que atordoou um pouco meu pensamento, é a de que ainda travestis são vistas quase sempre como fetiches, fantasias sexuais e meros objetos de fazer sexo. Do ser humano travesti, quase nada foi acrescentado. Até quando será mantido este pensamento?
Por Maite SchneirderVice-Presidente do Instituto Paranaense 28 de junho de Direitos humanos
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Os primeiros passos para ser uma travesti


Chegando na puberdade, os seus hormônios estão a toda, só que você nota que algo de errado está acontecendo, já que os seus seios não crescem. No lugar dos seios crescem os pêlos e a sua voz engrossa. Mas esta não é você. Que coisa estranha. Independente se você gosta de homem ou mulher, aquela imagem no espelho não é sua. Prepare-se, possivelmente você é uma travesti.
Algumas se travestem desde cedo, vestindo roupas femininas já na puberdade, mas pouquíssimas possuem condições financeiras e apoio da família para ficar bombada desde novinha. Nisto, quase todas passam por algumas fases até chegar ao corpo que a tecnologia lhe deu.
Primeiro, você começa a se aventurar as escondidas, coloca um baton, brincos, calcinha e se comporta como uma crossdresser: tem as duas identidades no seu corpo. Mas isto não lhe basta, você não quer ser uma garota somente algumas horas por dia e na clandestinidade.
Você sente prazer em ser uma mulher, gosta muito das cantadas dos homens e do desejo que provoca neles. Você quer ser desejada, feminina, na fila do supermercado, na porta do cinema, do Shopping. Algo ainda continua errado, você só vê a sua auto-imagem algumas vezes. Quando acorda de manha ainda lhe faltam algumas coisas, como os seios, a cintura delineada e o bumbum maior.
Então você passa a se hormonizar. Os efeitos colaterais são horríveis. Você tem náuseas, perde o apetite sexual, mas vale a pena, pois você vê os seus pêlos ralando e os seus seios crescendo. Como boa moça e cuidadosa com a saúde, procura um endocrinologista, que irá lhe auxiliar na aplicação dos hormônios.
Agora, você já se sente uma mulher, você coloca blusas decotadas, saias curtas e provoca assovios. Mas você ainda quer mais, quer ter os seios maiores, quer ter um bumbum maior e quer ter os traços mais femininos. Só um cirurgião plástico pode lhe ajudar. E é ele que você procura. Você faz uma prótese de silicone, salienta partes do seu rosto, reduz outras, faz eletrolise, enfim, você agora é uma travesti, graças a tecnologia e a sua força de vontade.